Aprenda sobre os tratamentos para refluxo gastroesofágico

08/02/2018 • Artigo por

Aprenda sobre os tratamentos para refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é a que afeta o sistema digestivo com maior frequência. É considerada uma condição crônica, que apresenta diversos sintomas. Os principais são azia e regurgitação ácida.

Como nem sempre a azia está associada ao refluxo, a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) estabelece que a frequência mínima em que a azia deve ocorrer é de duas vezes por semana, em um intervalo de até dois meses, para que possa haver a suspeita de que uma pessoa possui DRGE.

Em algumas pessoas, a doença do refluxo gastroesofágico pode ser diagnosticada mesmo que elas não relatem sentir a sensação de queimação típica da azia. Há outros sinais que podem indicar a existência da DRGE e que as pessoas pouco relacionam a ela:

  • dor torácica;
  • asma;
  • tosse crônica;
  • pneumonia de repetição;
  • rouquidão;
  • pigarro;
  • sinusite;
  • desgaste do esmalte dentário;
  • halitose;
  • aftas.

A confirmação de que os sintomas são, de fato, desencadeados pelo refluxo gastroesofágico é necessária para planejar o tratamento correto.

Refluxo gastroesofágico trata-se com remédio ou cirurgia?

Dificilmente o médico irá indicar a cirurgia como primeira alternativa de terapia para o refluxo gastroesofágico. Antes, a opção é o tratamento clínico. Para o alívio dos sintomas, recuperar as lesões ocasionadas no esôfago pelo retorno do ácido estomacal para o canal e evitar o retorno do refluxo, bem como complicações, é recomendada a adoção de mudanças no estilo de vida e a utilização de alguns fármacos.

O paciente portador de refluxo precisa modificar sua rotina e:

  • elevar a cabeceira da cama (15 centímetros);
  • moderar a ingestão de alimentos que sejam gordurosos e cítricos e o consumo de café, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, menta, hortelã, produtos à base de tomate, chocolate;
  • evitar deitar-se nas duas horas posteriores às refeições;
  • evitar exageros nas refeições;
  • parar de fumar;
  • reduzir o peso corporal, quando for o caso.

O período de tratamento clínico varia de seis a 12 semanas. Durante esse tempo, as perspectivas podem ser promissoras. Já pacientes que não obtiveram uma resposta satisfatória precisam se submeter a um novo ciclo de cuidados e medicamentos, por mais três meses.

Em pessoas em que a DRGE é mais intensa, os sintomas tendem a reaparecer quase que instantaneamente após a interrupção do medicamento ou a redução da dose que era utilizada. Nesses casos, o tratamento endoscópico ou a videocirurgia é o que pode fazer a diferença.

O tratamento antirrefluxo, que utiliza a endoscopia como técnica para a realização do procedimento, é uma solução recente para a condição. O cirurgião geral realiza o procedimento em cerca de 30 minutos. O paciente é anestesiado para facilitar a introdução de um cateter, com uma espécie de balão na ponta, no interior do esôfago. Esse balão é colocado na região em que o esôfago se aproxima do estômago e inflado. Ele se prende ao músculo do canal e emite ondas de radiofrequência que ajudam o esôfago a se fortalecer.

Após o procedimento, é preciso aguardar dez dias para poder voltar a se alimentar normalmente. O uso da medicação deixa de ser necessário depois de alguns dias, mas os cuidados com a alimentação precisam permanecer.

Em pacientes que realizam uma videocirurgia para não sofrer mais com o refluxo, o médico efetua entre quatro e cinco pequenos cortes, com menos de um centímetro cada. Essas incisões são usadas como meio de acesso dos instrumentos usados para a cirurgia, incluindo uma câmera de vídeo. O acessório transmite as imagens do interior do corpo para um aparelho de televisão que permite ao cirurgião visualizar a região a ser tratada.

Em menos de um dia o paciente retorna para casa. Nas semanas seguintes, terá de cuidar da alimentação, mas sentindo pouco desconforto. Em pouco tempo é possível voltar às atividades habituais.